sábado, 8 de dezembro de 2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Cultos afro-brasileiros


A resistência uma cultura que luta para deixar as senzalas.

Durante os trezentos e cinqüenta anos de tráfico de escravos, os quatro milhões de africanos trazidos para o Brasil e destinados ao duro trabalho nas lavouras, não trouxeram apenas a sua força que ajudou a desenvolver o país, mas também as suas crenças, tradições e costumes que influenciaram profundamente a formação da cultura popular brasileira.
Subsistindo durante séculos de exclusão étnica e social, as manifestações religiosas dos negros tinham que ser realizadas secretamente nas senzalas, sempre na calada da noite, longe dos olhos dos seus Senhores. Estes negros, na sua maioria sudaneses, bantos, jejês e haussas, tinham crenças diferentes, apesar de terem em comum a fé em um só Deus criador, Olodumare, e nas forças da natureza.
Da grande mistura de grupos raciais africanos e como conseqüência do silencioso esforço investido pelos negros para não deixarem morrer sua cultura e suas crenças, uma harmoniosa mistura de crenças e ritos africanos deram origem ao que conhecemos hoje como Candomblé, uma recriação brasileira da religiosidade africana.
Esta religião de milhares de brasileiros que ainda luta para deixar de vez as senzalas, ganha aos poucos a atenção de pesquisadores, acadêmicos e da mídia. Mais a resistente crença dos negros só começou a aparecer para a sociedade quando grandes artistas brasileiros como Gal, Caetano e Bethânia – filhos da Bahia e de Menininha, cantaram os deuses africanos e a sua mais festejada sacerdotisa, a Mãe Menininha do Gantois. As cantigas e as saudações dos orixás também estiveram na boca de Clara Nunes, Clementina de Jesus e Martinho da Vila. E foi assim, através da música, que os nomes de Yemanjá, Oxalá e outras divindades ficaram conhecidas entre nós.
O Candomblé sobreviveu a séculos de proibições porque não foi difícil para os negros adotarem, como disfarce, os santos católicos em sincretismo com os orixás africanos. Em meio a muita discriminação, opressão e sobretudo segredo que a religiosidade afro-descendente resistiu a repressão até o fim formal da escravidão. Entretanto os cultos negros ainda foi caso de policia no Brasil até primeira metade do século passado, envolto em todos os preconceitos que uma religião “de negros” podia carregar, os praticantes eram presos acusados de feitiçaria, os terreiros eram fechados e as representações das divindades profanadas. Reuniões de negros eram proibidas, pois se temiam motins contra os brancos. Impossível esquecer também a evangelização forçada de milhares de negros.
Tudo isso serviu para criar o mistério, o medo e a incompreensão que até hoje cercam o candomblé, suas ramificações como a Umbanda e os cultos de matrizes africanas em geral.
Começava a luta do povo-de-santo pela visibilidade e preservação de suas crenças e ao mesmo tempo, uma mobilização dos seus seguidores contra o preconceito e a discriminação.
O povo-do-axé se juntou, se organizou e ganhou força, o Candomblé já havia se espalhado pelo Brasil e, em 1973, já era iniciado o primeiro sacerdote na nossa região: Oba Kembê. Para dar maior voz a causa, surgiram necessárias associações e grupos dispostos a erguer a bandeira das religiões afro. Dentre as Ongs existentes, a FIUTCAB (Federação Interestadual União das Tradições e Cultura Afro Brasileira) tem sido uma presença nova e dinâmica na defesa desta vasta cultura.
Fundada há doze anos pelo pioneiro sacerdote Walter Alves de Oliveira, tem sede em Várzea Paulista e congrega mais de quarenta terreiros na região de Jundiaí e tem associados na capital e no interior de Minas Gerais. A organização já promoveu congressos estaduais, debates e mesas abertas com a participação de sacerdotes, antropólogos e estudiosos renomados, nas cidades de Jundiaí e Várzea Pta.
A disposição dos voluntários (a entidade não tem fins lucrativos) da Federação já produz bons frutos no objetivo de chamar a atenção da sociedade e incentivá-la a refletir sobre a intolerância que representa uma das faces mais terríveis do racismo brasileiro.
A Constituição Federal assegura a liberdade de crença, mais muito além disso, é preciso incentivar as políticas de ações afirmativas que assegurem a erradicação total de toda forma de descriminação, seja social, racial, de gênero ou religiosa. Ações que contribuem para concretização de uma sociedade onde as minorias são respeitadas e as diferenças superadas.

Rafael Vertuan

Campanha FIUTCAB 2007
Publicado no Jornal Sou + Jundiaí - SP
Edição 13 Ano 1
Foto 1 - Roda de Candomblé - Vila Aparecida
Foto 2 - Lázaro Aparecido Pinto de Camargo (Obá Kembê)

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Mestres reencarnados só com aval do governo!

PEQUIM (AFP) - Toda reencarnação de Buda tibetano vivo deverá ter o aval oficial do governo chinês e de seu gabinete para Assuntos Religiosos para ser válida, anunciou nesta sexta-feira a agência de notícias Nova China.
As novas regras entrarão em vigor no dia 1o de setembro, marcando "uma etapa importante para institucionalizar a gestão das reincarnações de Budas vivos", explicou a agência oficial.
De acordo com estas regras, apenas os templos de budismo tibetano creditados pelas autoridades comunistas terão o direito de solicitar o reconhecimento de uma reencarnação.
Os Budas ("despertados") vivos são um elemento importante do budismo tibetano, grupo de monges eméritos, que supostamente reencarnam. Vários candidatos estão na fila para serem escolhidos.
Pequim pretende manter um rigoroso controle dos assuntos religiosos, principalmente nesta região. As autoridades chinesas haviam recusado em 1995 a escolha pelo dalai lama, líder tibetano no exílio na Índia, da reencarnação do panchen lama, número dois na hierarquia do budismo tibetano.
Retirado de sua casa pelas autoridades, o 11o panchen lama, uma criança de seis anos, nunca mais foi visto.
Pequim escolheu seu próprio panchen lama, que realizou no ano passado uma aparição internacional em ocasião de um "Foro de Budismo Mundial" em Hangzhou, leste da China.
A China que afirma que o Tibet faz parte de seu território desde o 13o século, havia "libertado" esta região em 1951. Em 1959, após uma rebelião frustrada, o Dalai Lama escolheu estabelecer um governo no exílio na Índia, em Dharamsala.

(Fonte Yahoo Notícias)


Foto : 1 - O Décimo Primeiro Panchen Lama oficial do Governo Chinês

2 - O Décimo Panchen Lama e Mao Tse Tung

Amma - a santa do abraço!


Amma deixa hoje nosso país onde abraçou milhares de brasileiros no Rio de Janeiro, que continua lindo!(apesar de...) Amma Aquele Abraço!!!!!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Hoje é o centenário de Frida Khalo


Frida Khalo, pintora mexicana nasceu em 06 de Julho de 1907, em 1910 contraiu poliomilelite, sendo esta a primeira de uma série de enfermidades, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. A poliomielite deixa uma lesão em seu pé direito com isso, ganha um apelido "Peg-leg Frida". A partir disso ela começa a usar calças, depois, longas e exóticas saias, que Conheceu seu amor no Partido Comunista Mexicano, o pintor Diego Rivera

"Acreditavam que eu era surrealista, mas não o era. Nunca pintei meus sonhos. Pintei minha própria realidade".


Em 1939 expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México).
Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra.
Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o "Auto-retrato em um vestido de veludo" (1926), "retrato de Miguel N. Lira" (1927), "retrato de Alicia Galant" (1927) e "retrato de minha irmã Christina" (1928).
Quatro anos após a sua morte, sua casa familiar conhecida como "Casa Azul" transforma-se no Museu Frida Kahlo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Plantas de Poder na Cultura Religiosa do Brasil

O divino se manifesta pelos Enteógenos

Enteógeno é um termo criado por estudiosos ingleses no ano de 1973 que indica substâncias alteradoras da consciência. Em nossa sociedade os enteógenos são popularmente conhecidos pelo nome de alucinógenos. A presença de substâncias enteógenas provoca em quem a toma estados de transe, êxtase ou possessão, conforme observados nas antigas culturas xamânicas. Esta palavra grega significa literalmente: "manifestação interior do divino" provocada pelo poder de algumas drogas visionárias. O termo “Plantas de Poder” foi adotado pelos grupos religiosos, como o Santo Daime, para indicar estas substâncias .
Os enteógenos são utilizados por muitos grupos étnicos ao redor do mundo. Alguns exemplos são o cogumelo Amanita Muscaria,usados no México, Guatemala e Amazonas em rituais religiosos e por curandeiros. A erva Salvia Divinorum utilizadas pelos índios Mazatecas mexicanos. E o cacto Peiote, que brota em desertos dos Estados Unidos e do México, é utilizado pelos índios norte-americanos e por grupos neo-xamanicos, como a Igreja Nativa Americana. O movimento conhecido como contracultura enteógena popularizou o consumo de substancias psicoativas e estimulou o turismo enteógeno, ou seja, a busca da matéria prima, tanto em seu habitat natural – geralmente a floresta, como a realização de intercambio destas substâncias entre os que “consagram” as plantas de poder.
Há centenas de anos, os índios habitantes do Brasil utilizam as ervas e as árvores em seus cultos religiosos. Entre as centenas de plantas de poder, duas beberagens figuram constantemente no universo religioso dos enteógenos que saíram das aldeias e invadiram os espaços urbanos : A Jurema e a Ayahuasca ou Santo Daime.
Jurema é o nome popular da árvore Mimosa hostilis e também usado para se referir à bebida ritualística feita com a casca da árvore juntamente com outras substâncias secretas, tidas como Fundamento (segredo) entre os juremeiros. Jurema também é o nome genérico de várias árvores da mesma família da Mimosa hostilis, conhecidas popularmente como família das Acácias. As religiões que cultuam estas árvores são também chamadas de Jurema. No candomblé de caboclo e na umbanda, Jurema é uma Cabocla de pena (índia) que incorpora em seus médiuns e orienta seus filhos com sua sabedoria.
Santo Daime é um dos nomes brasileiro da bebida Ayahuasca, feita com duas plantas encontradas abundantemente na floresta amazônica: o cipó Marirí ou Jagube (Banisteriopsis caapi) e a folha da árvore Chacrona ou Rainha (Psychotria viridis). A principal substância psicoativa encontrada nestes dois “sacramentos” utilizados em comunidades espirituais no Brasil é a DMT (Dimetiltriptamina) há um grande número de estudos realizados por médicos e pesquisadores sobre os efeitos da DMT no organismo humano que podem ser encontradas em institutos especializados como o Conselho Nacional Anti-drogas e também em ONGS vinculadas a igrejas que se utilizam e estudam a substância como o Centro Eclético da Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra (CEFLURIS).

(Esta é a introdução do livro que começei a escrever mais ainda não está finalizado)

Foto 1 - Céu de Maria- © arquivo do autor
Foto 2 -Mestre Irineu (Oxalá) © Clancy Cavnar. All rights reserved.
Foto 3 - Catimbó Jurema (?)

domingo, 1 de julho de 2007

Paulo Freire


"mãos de homens e de povos que se estendam menos em gestos de súplica, e se vão fazendo cada vez mais, mãos humanas que transformam o mundo."


Paulo Freire